domingo, 22 de maio de 2011

Sessão Mistério: A Mulata de Córdoba.

Por volta do século XVIII vivia nos arredores de Córdoba (México) uma mulata muito famosa por seus dotes, digamos, místicos, ou mágicos, ou sobrenaturais, ou seja lá o que for.
O caso é que todos na cidade lhe temiam, alguns lhe adoravam em virtude de favores sobrenaturais, mas mesmo esses, apesar da adoração ainda lhe temiam. Muitas coisas fascinantes e ao mesmo tempo assustadoras lhe eram atribuídas, uma delas era o relato de vários moradores do vilarejo, que ousaram passar em frente a casa da mulata em uma noite de sexta feira em plena lua cheia, segundo os mesmos por volta da meia-noite, de dentro da casa, por via das frestas jorrava uma luz intensa na cor vermelha, acompanhada de gritos de socorro, gemidos de dor, e lamurias de sofrimento. Diziam também da mulata, que  tinha o poder de desaparecer de um lugar e aparecer em outro, em um piscar de olhos, outra façanha que lhe atribuíam era a capacidade de flutuar, não eram raras as pessoas que afirmavam tela visto passeando a mais de um metro do chão na tenebrosa madrugada da noite das almas. Jamais foi vista durante a luz do dia.
 Certa feita, esteve na cidade um juiz inquisidor, para investigar recorrentes denuncias de feitiçaria, imediatamente mandou prender a mulata. Enquanto aguardava seu julgamento em uma cela, entretia-se a misteriosa mulher, desenhando na parede o que parecia ser um casco de barco, o carcereiro abismado com semelhante demonstração de frieza, lhe indaga: O que fazeis ó mulher insana? Porque não aproveita os instantes que te restam para pedir perdão dos teus pecados? A mulher parecendo não ouvir o que lhe dissera o carcereiro, pergunta: Ó nobre carcereiro o que falta no meu barco? responde o guarda a contragosto: Ao teu barco faltam os mastros. O carcereiro desacreditado de tamanha estupidez volta a sua mesa. Ninguém sabia ao certo a idade da mulata uns diziam oitenta outros falavam até em cem, sabia-se apenas que ali na localidade ninguém havia nascido antes que ela, apesar da avançada idade sua beleza era comparável á qualquer uma das mais belas moças de toda região, dizia-se que tal beleza eterna havia sido conquistada no dia do seu casamento com o senhor dos infernos
Após alguns minutos voltou o carcereiro a fazer sua vigia rotineira, tamanho foi seu espanto quando viu que a insensata mulher continuava a desenhar o barco que agora já continha o mastro, e novamente a pergunta; Ó nobre carcereiro o que falta no meu barco? O carcereiro intrigado com a atitude estranha de uma pessoa ás vésperas da morte na fogueira, responde: agora só faltam ás velas. Resolveu não dar muita importância imaginando estar ela tendo delírios em virtude da situação.

Mas novamente se repete a situação e de novo a pergunta: Ó nobre carcereiro e agora o que falta ao meu barco? O homem já inquieto com a situação se enfurece: Não continue com disparates insensata mulher aproveita o tempo que lhe resta para prestar contas com o Altíssimo e quem sabe consegue tua redenção, porque teu fim se aproxima. Ela insiste: Mas por favor me diga nobre carcereiro. o que falta ao meu barco? responde: Ora não falta mais nada ao seu barco, alem é claro de navegar. Nesse exato momento algo aterrador aconteceu. Disse a mulher: Se o que falta ao meu barco é navegar, ele então navegará. e dizendo isso saltou no barco e desapareceu na escuridão.
Ainda hoje em Córdoba nas sextas-feiras de lua cheia algumas pessoas de pouca sorte avistam a mulata com seu barco cortando o céu da cidade.

4 comentários:

d. bohn disse...

Cascalho que interessante isso, é tua invenção?

To seguindo.

Se resolver seguir eu agradeço.

http://maiseducacaocleonicebragafonseca.blogspot.com/
e
http://euachoqueusimplesmentenaosei.blogspot.com/

Caroline Lebon disse...

bem interessante esse texto , muito legal mesmo o seu blog !

Antenado disse...

Isto é que é um conto sinistro e instigante!

claudio fernandes disse...

O texto é meu. Mais a lenda realmente existe.

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